Maternar trabalhando é uma loucura

Desde que eu escolhi ser mãe – porque, insisto, não cabe ao Estado definir se tenho ou não um filho – tomei com Lucas decisões sobre um maternar humanizado, com apego e sustentável. Não temos seguido regras ao pé da letra, mas fizemos um combo do que nos parece bom e damos nosso melhor. Mesmo. De coração aberto. Estamos os dois acabados, sem dormir direito. Porque optar por um cuidar focado no desenvolvimento do serzinho e não no controle total dele dá trabalho!

Aqui em casa, não tem essa de deixar chorar. Também não entram os clássicos: está fazendo seu peito de chupeta; se ficar no colo, fica mal acostumada; isso é manha. Se chora, é porque está se comunicando e nosso desafio é entender a comunicação. Não raras vezes ela ouve frases como: você tem todo direito de se expressar, mas isso não muda a situação neste momento. Não foi com gritos que ela parou de morder meu peito com os dentinhos novos, foi ouvindo: não faça isso, machuca a mamãe. E ela não faz mais. Dá mais trabalho, frustra, irrita. Mas o ser que ela está se tornando nos enche de emoção.

A gente lava fralda. A gente tem que limpar tudo depois da refeição, porque ela come sozinha e em pedaços. A sala é uma bagunça, porque ela rola no chão. Lavo muita roupa, porque são poucas. Não compramos – elas são vindas de outras crianças ou presentes do Brasil. Tem livro com página comida, porque lemos pra ela. Ela come o braço do violão também – acho que quer sentir a música rs. A gente faz tudo isso enquanto trabalha, no trampo fixo e nos projetos paralelos. A gente cozinha, limpa a casa, vive com ela pendurada e coloca as séries em dia. Temos rede de apoio, online e física, que nos ampara principalmente quando a situação aperta. E tem mais, muito mais.

Não sou a única nessa missão. Além de ser privilegiada de diversas maneiras, incluindo ser branca, ter um parceiro de verdade e morar num país com o mínimo de estrutura. Mas somos muitas numa rede secreta de mães que se articulam num universo paralelo ao sistema capitalista patriarcal – e como sentimos falta de um movimento de pais que faça o mesmo! Lucas fica frustrado de não haver a mesma união entre eles. E eu entendo. Os grupos de mães me salvam todos os dias. A Lua Fernandes é uma delas e vamos contar muitos desses processos numa live cheia de amor que rola dia 22 de outubro, no Instagram dela compartilhado com o meu. Vem somar. Vem contar o que você sente. Não existe lugar pra julgamento no maternar. Só vem.

Publicado por Carol Tavares

Jornalista formada em dezembro de 2007, que já passou por redações de veículos como MTV Brasil, Rede Bandeirantes e revista Gestão e Negócios. Com mestrado em Marketing Digital, atua com estratégias de comunicação 360 graus para marcas e empresas de diferentes setores.

Um comentário em “Maternar trabalhando é uma loucura

  1. Que depoimento maravilhoso!
    É uma pena que os homens ainda não tomaram consciência de que juntos aprenderão muito mais e se tornarão mais sensíveis, podendo expressar melhor seus sentimentos sem medo de ser feliz, de chorar e de mostrar que não sabe, mas quer aprender. Acho que um dia isso vai mudar! O Lucas é muito sensível, admirável! ❤️ Quando vc e seu irmão nasceram, tive o apoio da minha mãe , meu pai e das minhas irmãs, e isso foi fundamental. Era outro tempo, a mulher tinha que dar conta de tudo e o homem era só mantenedor, tempos difíceis, mas mesmo assim fui pelo instinto e deu certo, poderia ter sido melhor, eu poderia sentir menos culpa, mas o meu amor sempre foi tão grande que fiz tudo o que achava certo. Nunca deixei meus filhos chorando sem acalentar, colo era pra dar carinho, apesar das críticas… Não me arrependo de nada que fiz para ajudar no crescimento e desenvolvimento deles, pois hoje sinto muito orgulho do que se tornaram! Deu trabalho, mas valeu a pena!

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