ENTREVISTA: Geo, uma mulher em reconstrução

Ver quem a gente ama crescer é lindo. Dá vontade de cuidar e, ao mesmo tempo, de dizer: só vai! A Geo é um desses nenéns. Ela chegou de mansinho na minha vida, quando começamos a trabalhar juntas em uma agência de comunicação. Toda diferentona. Apaixonei. Não demorou muito para ver aqueles primeiros covers de Britney e Amy que ela divulgava vez ou outra.

“Ah, você é cantora?”
“Não, sou estagiária de jornalismo… Mas tenho umas músicas.”
“Poxa, tenho uma data de show, quer fazer?”
“Ah, quero sim.”

Sim, ela já era cantora. Apenas não sabia disso. Mas é um mulherão da porra e não demorou muito para descobrir que tudo que precisava estava dentro dela. Uniu os conhecimentos de comunicação, os estudos de marketing musical e o talento que sobra e colocou voz, corpo e cabeça no mundo.

Dos relacionamentos complexos tirou inspiração. Das dificuldades da área, tomou coragem. E do desafio chamado SP-Santos, fez um disco. “Ah, um EP”. Não, mana. Um puta disco. Num formato menor. E daí? Cada música vem com o peso de quem encontrou na arte e no poder pessoal seu próprio “Salva-Vidas”. Cada arranjo vem com a dosagem certa de quem aprendeu que tudo tem seu tempo. E o sucesso está chegando – parece de uma vez, mas não é. Teve muito suor sim. Um processo bizarro de auto-conhecimento. E muita, mas muita vontade.

Como foi a primeira que você pegou num violão?
Numa viagem em Juquehy! Era de um amigo do meu pai e fiquei lá tentando fazer algum som sem muito sucesso haha

E a primeira vez que você pegou num violão pra galera ouvir?
Foi na época da escola, uns 13 anos. Eu fazia quase todos os trabalhos em forma de música com uns amigos meus que tocavam baixo e bateria.

Qual a sensação de ouvir uma galera cantando a sua letra?
Eu sinto que minhas experiências individuais viram coletivas, tendo um significado próprio pra cada pessoa. Me lembra que sou humana. É lindo demais.

Ficar entre as mais ouvidas do Spotify significa/ significou o que exatamente?
Foi uma vitória muito pessoal. O número em si não importa tanto, mas foi por causa dele que comecei a entender que existem pessoas pelo Brasil inteiro querendo ouvir o que eu tenho pra dizer.

Seu disco é um tiro. Sei que você não curte focar isso… Mas, pow! Ele conversa diretamente com as mulheres e a maneira como elas se relacionam. O processo de construção dele doeu? Por quê?
O processo desse EP foi de cura e, às vezes, ela dói mesmo. São cinco faixas que não contam sobre uma grande paixão e nem sobre o processo do término: é sobre o depois. É sobre entender o que fizeram com você, como voltar a se amar depois de tudo e não deixar ciclos se repetirem.

Como é ligar o foda-se para todos os padrões que disseram que você tinha que seguir?
É uma liberdade que eu não sabia que existia. A necessidade de seguir padrões de gênero, de beleza e de “som comercial” sempre me freiaram na hora de lançar meu trabalho autoral. Agora, isso não existe mais! Hahaha

O que te fez continuar na música, mesmo na hora do perrengue?
O apoio de todos os fãs e sentir que, apesar de tanto trampo lindo de várias minas maravilhosas, ainda há uma lacuna gigantesca de artistas mulheres na cena.

O que te faz continuar todo dia, mesmo na hora do perrengue?Saber que existem pessoas incríveis do meu lado, me apoiando. Meus amigos, minha família, as pessoas com quem eu trabalho. Eu confio muito na minha intuição e hoje eu só me deixo ser cercada se for de amor.

Sucesso, fama, futuro… O que tudo isso quer dizer pra você?Sucesso pra mim é algo que eu sinto toda vez que uma pessoa pede uma foto, toda vez que vejo meus números no Spotify, toda vez que escrevo algo novo. Eu não gosto do conceito todo da “grande fama”. Quero atingir com minha música só quem estiver disposto a ouvir o que tenho pra dizer. Não me importa se vai ser pro Brasil inteiro ou pra um show de 100 pessoas no centro de SP. Sobre o futuro: ele é brilhante e ele é tudo que eu quiser que ele seja. Ainda existem muitos trabalhos e histórias a serem contadas.

Como é ser libriana?
Eu simplesmente amo ser libriana.

Como é ser a maior doçura de pessoa, cheia de amor e inseguranças e, ao mesmo tempo, conseguir passar toda essa força que motiva a gente só de olhar?
Eu tento muito ser a pessoa que eu precisava quando era mais nova. Eu queria tanto alguém pra me dar forças, que não pensei que podia vir de mim mesma. Hoje, eu fico muito feliz de ser inspiração pra muita gente, especialmente mulheres. É quase freudiano! Hahaha

O que você diria para mulheres que ainda sofrem (por amor, por baixa autoestima, por tudo que poderia ter dado certo e não deu)?
Vai ficar tudo bem. Existe muita força dentro de você, você só não sabe ainda. Confie na sua intuição, nunca leve desaforo pra casa e nem se cale em situações de opressão.

 Texto: Carol Tavares

 

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