Conteúdo digital: não seja a pessoa que destrói outro ser humaninho

Este dia chegou! O livro que eu escrevi – Lições Empresariais de Game Of Thrones (editora Escala) – virou meme e saiu no Buzzfeed. Ok, num contexto “passar vergonha” que não era exatamente o objetivo. Mas ganhou mídia espontânea em um dos sites com maior engajamento nesta eterna 3ª série C chamada internet brasileira.

Isso me fez pensar que o sucesso está finalmente chegando. Não ria, é sério! Sempre ouvi dizer que você está ficando grande quando ganha haters. Ainda não cheguei nesse patamar, mas já rolou um bullying, ou seja, estou subindo a escada.

Piadas à parte, acho importante falarmos sobre conteúdo e seres humanos. Uma vez, quando eu não media muito as palavras, postei uma foto de um cara com barriga d’água e fiz uma piada. Logo eu apaguei. Parei pra pensar e percebi o quanto eu poderia estar prejudicando alguém. Uma amiga muito querida fez um post-desabafo certa vez e apagou em seguida, orientada pela mãe. A internet não perdoou e incluiu o print em um texto sério de acusações de assédio. Ela ainda está digerindo e lidando com essa situação.

Eu trabalho desde os 15 anos e meu primeiro emprego incluía cinco aulas de ballet por semana para ganhar R$ 200,00 por mês. Escrevo desde os 10. Tenho algumas coisas guardadas esperando dinheiro para serem publicadas. Um dia, a editora Escala chegou para mim e encomendou esse trabalho – do qual me orgulhei bastante quando vi o resultado final. Tive um mês para escrever, sob efeito de uma pneumonia atípica. Já parou pra pensar como é você se dedicar tanto a algo que acredita e alguém querer rebaixar o que você fez com uma frase?

É óbvio que o primeiro impacto, quando chegou a mim o post na Fanpage Empreendedor Nem É Gente, foi de frustração. Mas, em seguida, entendi que a piada era válida – colocando-me como terceira pessoa na situação, eu ri do que estava ali. Porque é vida que segue e precisamos aprender a não nos levarmos tão a sério.

O que quero dizer é que é preciso ter cuidado com o que você lê, compartilha, escreve. Uma vez disseminado por aí, pode construir ou destruir a carreira de alguém. Vi aqueles hotéis que tornaram expostos os pedidos de influenciadores de uma maneira totalmente desnecessária e acabaram ridicularizando pessoas que não fizeram nada além de oferecer uma permuta – você aceita se quiser e não precisa xingar ninguém por isso.

Recebo propostas diárias de trabalho por portfólio e não estou expondo as pessoas que me pedem – eu topo ou não e essa decisão é somente minha, quem propôs segue em frente, simples assim. Pequenos cuidados são essenciais. Entender que há seres humanos do outro lado da tela. Que lutaram muitos anos, estudaram a custos que ninguém imagina, não foram criados a mamão papaia e que não estão prejudicando a vida de ninguém.  A criação de conteúdo digital implica ética, competência e noção de consequências. Chegou-se num ponto que todo mundo se acha no direito de falar o que quiser sem ao menos buscar referências ou entender o que é que está dizendo.

Minha família toda é da roça. Eu cresci em roda de viola e a música sertaneja tem um contexto importante pra mim, mesmo que hoje eu busque outros sons pra ouvir. É uma questão cultural mesmo, que fez e faz parte da minha formação como um todo. Por isso, toda vez que alguém torce o nariz para o sertanejo, eu questiono o porquê. Geralmente, a pessoa repete frases prontas que não querem dizer nada e eu sempre pergunto: “mas você consegue entender o que esse estilo realmente representa?”. É a mesma coisa do funk, do pagode… Escolha sua década e eu te direi qual foi o estilo que sofreu bullying. Em suma: você só pode analisar aquilo que conhece e, mesmo assim, considerando as variáveis.

A questão é: cuidado. Pessoas lutam anos para construir uma vida, uma carreira e conquistar um lugar no mundo. Não seja essa pessoa que destrói outra com uma frase.

Texto: Carol Tavares
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2 comentários em “Conteúdo digital: não seja a pessoa que destrói outro ser humaninho

  1. Você é incrível, sua história é incrível e eu admito sua maturidade diante de uma situação como essa. Buzzfeed e internet estão aí, num espaço aberto, e você sabe muito bem como tudo isso funciona pra se deixar abalar ou ter um acesso de raiva e desilusão. Tô feliz por ver você brilhar 🙂

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