O machismo na história, na reprodução de padrões e na comunidade LGBT

É muito louco pensar como está nosso condicionamento. Vivemos uma sociedade patriarcal e machista desde a Mesopotâmia. Sim! Segundo consta a história, nossos queridos pré-históricos viviam em um ambiente igualitário que, inclusive, conseguiu desenvolver um sistema de comunidade, tecnologia e agricultura (não exatamente nesta ordem) com base em direitos e obrigações iguais.

Em algum momento, o Código de Hamurabi resolveu anular os direitos das mulheres mesopotâmicas e validar o repúdio dos maridos a elas – caso fossem estéreis ou tivessem comportamentos considerados inapropriados.

O negócio começou a degringolar. Inventou-se que família correta é aquela com marido, esposa e filhos. A Igreja fica acima do rei, o casamento é uma ótima fonte de negócios e a garantia de manter a riqueza numa mesma família – não importa quantos anos passem. Não existe mais o “todos somos um”. Comunidade passa a ser uma casa fechada com o modelo tradicional padrão e proteção a qualquer custo.

A representação do núcleo família passa a determinar a maneira como agimos em sociedade e no mundo. Eu, homem, protejo os meus a qualquer custo – incluindo na lista anular o direito de fala e posicionamento da minha mulher -, esqueço que fazemos parte de um todo e crio territórios. Quero garantir mais dinheiro pro “sangue do meu sangue” – esquecendo também que, em algum momento da história, todos tivemos o mesmo sangue – e, para tanto, preciso conquistar riquezas. Essas riquezas vêm por meio de colonização, escravidão escrachada ou velada, petróleo. Eu crio guerras.

Você percebe a bola de neve que uma disputa babaca de poder faz? Você percebeu quantos padrões nós criamos e não sabemos nem o porquê? Fui longe no raciocínio para explicar que o machismo não tem exatamente gênero: ele é a reprodução de um padrão social criado em algum momento do nosso processo “evolutivo” para saciar um desejo por ter tudo e estar acima. Por isso, o cantor Victor Cavalcanti e eu criamos este pequeno manifesto abaixo, que marca também o lançamento do segundo vídeo da série “Fita Cacete” e convida à reflexão.

Até quando você vai continuar repetindo padrões destrutivos?

“Lugar de discurso é quando temos propriedade sobre o que estamos falando – seja pela vivência propriamente dita ou por experiências que deem contexto para tocar no assunto. A população LGBT precisa cada vez mais desse tipo de representação e, principalmente, estar unida nessa tarefa.

Torna-se ainda importante que os representantes do segmento se coloquem como seres humanos em relação uns aos outros e não encaixem seus relacionamentos em padrões machistas comuns à sociedade como um todo, resultando em agressões psicológicas e físicas.

Para além de casais que prefiram um tipo de sexo específico, cada vez mais é possível observar relações abusivas em toda a comunidade, incluindo uma parcela grande da LGBT. Tanto é que as estatísticas apontam para um número bem alto de pornografia focada em violência.

Não é sobre julgamentos. Não é sobre conservadorismo. É sobre respeito. É sobre perguntar ao parceirx o que ele quer, o que ele gosta e como ele prefere que a relação seja conduzida. Violência é violência e não precisa de tapa na cara para ser real. Uma agressão começa nos detalhes e, independente de gênero ou escolha de parceirx, o machismo ainda está muito presente e precisa ser eliminado.

Este vídeo é sobre isso.”

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