2020 é o ano do (re)nascimento

O primeiro dia do ano não foi do tipo postável no Instagram. Foi dia trabalhado e com gripe, um tantinho de febre e nariz de bozo. Foi como uma ressaca do ano que passou – um ano de delícias e desafios. Um ano do próprio John Travolta perdido olhando para os lados.

Mas o corpo dá seus sinais, de fato. E o sinal foi claro: você precisa parar. Não é à toa que uma gestação dá mais sono que o normal. A mulher precisa colocar energia para dentro ao invés do inverso. A questão é viver em uma sociedade exigente desde o básico – pagar as contas na data – até o que há de mais complexo – o que você vai ser quando crescer?. E aí você se esforça. Sente-se culpada por estar mais cansada que o normal, afinal, tem uma vozinha maldosa que fica dizendo na sua cabeça: “a escolha de engravidar foi sua. Por que o capitalismo deveria ser empático a uma situação que é totalmente sua responsabilidade? Arque você com as consequências”. Vozinha ignorante esta.

Gestar tem se tornado, acima de tudo, a aceitação de que não precisamos viver como heroínas do tempo-espaço. Aceitação ao apoio sincero de outras pessoas que não necessariamente vão ganhar algo por serem empáticas a você. A aceitação de que tudo bem não produzir coisas o tempo inteiro e ter algumas necessidades maiores do que na maior parte do tempo da sua vida.

Também tem sido um exercício de grande admiração por outras mulheres. Uma avó gerou 11 filhos – apesar de um não ter sobrevivido ao pau de arara. A outra gerou seis. Ambas em um universo totalmente machista e de extrema pobreza, no meio do mato. Elas deram à luz sem uma série de estruturas que tenho hoje, com o apoio dos respectivos parceiros bastante limitado, dados os contextos de época. Além disso, dando conta de tudo praticamente sozinhas e faltando comida na mesa. Quando penso sobre isso e olho para as senhorinhas que elas se tornaram hoje, tão doces, fico pensando em toda força que existe por baixo desta delicadeza às vezes transformada em debilidade aos olhos dos outros. Elas são uma verdadeira fortaleza. Todas somos, em universos diferentes.

A gestação tem sido, acima de tudo, um reconhecimento da mulher em nosso íntimo cheio de medos e superações (leiam Maya Angelou, pelo amor das deusas). Cheio de lugares intocados, feridas e ansiedades que não se sabe de onde vêm, mas que acabam levando a lugares totalmente desafiadores.

Vai ser um 2020 praticamente inteiro gestando – principalmente entendendo que, uma vez que o parto acontece, a gestação da mãe segue adiante – e espero conseguir compartilhar aqui todos esses devaneios e informações que possam ajudar alguém: seja a pensar melhor, a se distrair mais, a ter informações precisas sobre assuntos específicos ou simplesmente a saber que é parte de algo, que não segue só. Você vem?

3 comentários em “2020 é o ano do (re)nascimento

  1. Cada dia tenho mais orgulho da mulher em que você se transformou! Essa gratidão e reconhecimento que tem pelas avós é incrível. De mostrar a todas que temos uma força muito grande e que somos capazes de tantas coisas que não sabemos! Parabéns pelo texto e com certeza descobrirá inúmeras coisas lindas com a maternidade! Te amo!❣️❣️

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  2. Sou tão grato por todas as mulheres em minha vida, parte delas vive em mim e é essa força que me motiva. Seguir em frente, grato à vida e gerando vida… de outras formas.

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